Crítica de VINGADORES – A ERA DE ULTRON

 
REVIEW: VINGADORES – A ERA DE ULTRON
Wendell  Lima

Vingadores – A Era de Ultron, é uma edição mensal de sua revista favorita. Não é uma Graphic Novel inovadora como os filmes Batman – O Cavaleiro das Trevas ou Capitão América – O Soldado Invernal. Também não é um megaevento (antes do termo “megaevento” significar sagas modorrentas intermináveis) de tirar o fôlego como o primeiro Vingadores. É apenas aquele gibi que você passa o mês esperando para comprar e se diverte a valer em sua leitura, e isso é ótimo! Tudo o que você espera está lá: ação intensa (até demais, vez ou outra), trama bem costurada, mas sem querer vestir a camisa do “oh, veja como nossa história é complexa e inteligente”, um vilão interessante, que é ameaçador e carismático ao mesmo tempo e super-heróis que pensam, falam e agem como super-heróis, no melhor sentido do que o termo significa.

Há uma máxima sobre filmes de aventura, nunca compreendida por certos diretores “visionários”, que diz que de nada adianta ter bolas de fogo voando para todos os lados se você não se importa com quem está se esquivando das tais bolas de fogo. Vingadores - A Era de Ultrom tem seqüências de ação superlativas em abundância e, muitas vezes, dá a impressão de que Joss Whedom recebeu uma superdose de raios gama e vai acabar se transformando no Incrível Michael Bay a qualquer momento. Felizmente, o que acaba impedindo essa transformação é a habilidade de Whedom de dotar os personagens do filme de alma. Quando não estão explodindo robôs assassinos e afins, os Vingadores são um grupo de amigos com personalidades muito bem definidas que, não raro, batem de frente uns com os outros, mas que se divertem pra valer juntos, e você se vê querendo tomar umas com aqueles caras!

Uma coisa difícil de não se notar sobre o filme, e que até parece uma resposta velada a um certo Homem de Aço é que, não importa o quanto as batalhas sejam devastadoras e quanta destruição em larga escala aconteça, os Vingadores estão salvando vidas o tempo todo. Mesmo enfrentando um Hulk descontrolado, a maior preocupação do Homem de Ferro é afastar a luta de cidadãos inocentes. Ainda que confrontando uma ameaça prestes a extinguir toda a vida na Terra, os heróis simplesmente se recusam a admitir baixas casuais, mesmo que o custo seja suas próprias vidas. É o ideal do super-herói representado com o brilhantismo que deveria ser a regra em filmes sobre o tema, não exceção. Há tons de cinza em Vingadores, tons que permeiam desde o sarcástico Tony Stark até o escoteirão Steve Rogers. Os personagens são humanos e muito bem caracterizados, em especial Clint Barton, o Gavião Arqueiro tão negligenciado no primeiro filme, mas que aqui rouba a cena. Ainda assim, não há entre eles a angústia interminável vinda da necessidade de salvar o mundo, ou a necessidade de ser sombrio para se adequar a alguma fórmula de sucesso. Os Vingadores são super-heróis coloridos à moda antiga, com poses de batalha e tudo, e não têm vergonha disso.

Uma das marcas registradas dos filmes da Marvel Studios é o humor, e há muito dele nesse filme. Muito mesmo. Demais! Os caras não perdem praticamente uma oportunidade para a piada, nem mesmo o Ultron, que deve ser o robô mais escroto da ficção desde R2D2. Isso cansa vez ou outra e sim, o filme definitivamente poderia ter ficado com uma meia hora a menos sem nenhum problema, mas nada disso compromete o resultado final. Vingadores dá exatamente aquilo que promete, e mais ainda. É um daqueles filmes que você certamente vai querer rever no cinema, em especial quando finalmente começarem as sessões sem o famigerado e totalmente desnecessário 3D, e que provavelmente vai querer mais tarde em sua coleção, como um daqueles bons gibis que você acaba relendo toda vez que topa com ele ao arrumar a estante.


P.S: tem pós-créditos!

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