Há inúmeras adaptações no universo dos quadrinhos, onde personagens brancos são hoje negros. O caso mais famoso é no universo Ultimate Marvel, um universo paralelo dessa editora, que apresentou um Coronel Nick Fury (que no universo tradicional é um personagem branco) negro. Na adaptação dos quadrinhos dos Vingadores para o cinema, o personagem também é negro, sendo vivido pelo ator Samuel L Jackson, inspirado no universo Ultimate. Outro personagem negro neste universo dos quadrinhos é o Homem Aranha que, após o falecimento de Peter Parker (o alterego original do Homem Aranha) é assumido por Miles Morales, um adolescente negro e de descendência latina. O personagem estreou no uniforme do herói aracnídeo em Ultimate Fallout 4 em 2011. Há também adaptações de etnias em séries e filmes de adaptações de quadrinhos. No filme Demolidor, de 2003, um ator negro (o falecido Michael Clarke Duncan) vive o vilão Rei do Crime, que, nos quadrinhos, é um personagem branco. Nas séries de TV Smallville, que conta a origem do Super-Homem, e Arrow, que traz a origem do super-herói Arqueiro Verde, alguns personagens sofreram mudanças étnicas. Em Smallville, o personagem Peter Ross é vivido por um ator negro, assim como o personagem Walter Steele em Arrow. Outra adaptação étnica é o personagem Perry White, editor chefe do ‘Planeta Diário’, jornal onde o alterego do Super-Homem, Clark Kent, trabalha. No filme Homem de Aço, o personagem será interpretado por um ator afro-americano (Laurence Fishburne). Os negros estão ganhando um maior destaque nos quadrinhos e no cinema neste novo século. Muitas acreditam que isso é motivado por um sistema de cotas nas mídias norte-americanas, onde programas e shows devem apresentar personagens negros, homossexuais e latinos. Muito usado a partir da década de 1960, o sistema foi criado por John Kennedy que “passou a validar ações que tinham como objetivo auxiliar as pessoas pobres e diminuir a desigualdade entre classes”.81 Atualmente, o sistema de cotas se tornou desnecessário e foi abolido, pois, segundo a declaração dos direitos humanos, todos são iguais perante a lei. Os super-heróis apresentam muito bem essas tensões e transformações em suas páginas das histórias em quadrinhos. Nelas, todos têm vez, todos são iguais, indiferentemente de sua etnia, todos podem se tornar super-heróis. O sonho enraizado em solo norte-americano de Martin Luther King Jr. é visto no decorrer desses anos, nas páginas das histórias em quadrinhos de super-heróis negros: “Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais”

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